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Deputados estaduais querem abrir CPI para investigar denúncias da Operação Quadro Negro

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Oposição já conseguiu 13 assinaturas favoráveis à investigação. Para que CPI comece, são necessárias 18.

Deputados que fazem oposição ao governador Beto Richa (PSDB), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), buscam conseguir assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de investigar o caso de corrupção desvendado com a Operação Quadro Negro. O tema foi debatido intensamente durante a sessão de segunda-feira (4), na tribuna.

Na Alep, pelo menos três deputados foram citados pelo dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, acusado de comandar o esquema de fraudes na construção escolas públicas no estado. O empresário fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), em que afirmou a participação de políticos nos desvios. De acordo com ele, políticos eram beneficiados com propina dos contratos irregulares.

Até o momento, 13 deputados já se posicionaram a favor da abertura da CPI. Para que a comissão seja instalada, é preciso que 18 parlamentares assinem o documento que pede o início da investigação.

Entre os políticos citados, estão o presidente da Alep, deputado Ademar Traiano (PSDB), o secretário da Casa, Plauto Miró (DEM) e o deputado Tiago Amaral (PSB), que é filho do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Durval Amaral.

Souza disse que fez pagamentos aos três, com o dinheiro que levantou na fraude descoberta pelos investigadores da Quadro Negro.

O delator disse que os repasses para Traiano foram para ajudá-lo na campanha eleitoral de 2014, a pedido de Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria da Educação e um dos responsáveis por adulterar laudos sobre o andamento das obras contratadas junto à Construtora Valor. Em depoimento, ele afirmou que o dinheiro foi entregue na Alep. Segundo Souza, o deputado recebeu R$ 100 mil.

Os pagamentos de Plauto, segundo o delator, foram feitos para conseguir que a Assembleia liberasse o pagamento de contratos aditivos, que elevaram o custo das obras que não foram entregues pela Construtora Valor. De acordo com Souza, o parlmentar recebeu R$ 600 mil, em duas parcelas.

Tiago Amaral, por sua vez, recebeu R$ 50 mil, conforme o delator. Souza disse que entregou o dinheiro em 2014, no comitê de campanha do deputado, que tentava se eleger. Após o pagamento, ele disse que recebeu um agradecimento do pai dele, Durval Amaral e do filho.

Nesta terça-feira, apenas Tiago Amaral quis falar sobre o assunto. Ele disse que não conhece o empresário Eduardo Lopes de Souza. “Eu jamais tive qualquer tipo de relacionamento ou contato com a pessoa. Jamais. Não recebi dele e repito, não recebi de ninguém verba de caixa dois. Isso não ocorreu”, disse.

Traiano foi procurado, mas afirmou que só vai se pronunciar quando tiver acesso à delação. “Só vou me manifestar sobre o assunto, no momento em que eu ver que isso é verdadeiro, com o timbre da Procuradoria-Geral da República. Não falo mais sobre esse assunto”, disse.

Plauto Miró também foi questionado sobre o assunto, mas preferiu não gravar entrevista. Em nota, ele negou qualquer envolvimento com os fatos e disse que aguarda a apuração do caso.

O diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) informou que o deputado Tiago Amaral não usou recursos do fundo partidário para a campanha e que, por isso, não tem elementos para se pronunciar sobre a origem de recursos utilizados por ele em 2014.

O presidente do TCE-PR, Durval Amaral, disse que não conhece Eduardo Lopes de Souza. Para ele, a citação no depoimento deve ter sido feita em retaliação contra uma ordem para suspender pagamentos à Construtora Valor. De acordo com o conselheiro, há sete processos contra a empresa do delator, em análise no Tribunal.

Por RPC Curitiba

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