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COLUNISTAS

Muitos partidos, pouca ideologia

*Gilson Alberto Novaes

Digo constantemente aos meus alunos que uma das coisas que dão certo no Brasil é criar um partido político. É verdade.

Os partidos políticos até hoje, gozam de algumas regalias que fazem os “espertos” em política ficarem ávidos por eles. Pudera! Recebem, até em anos que não se tem eleição, polpudas verbas do Fundo Partidário, tem acesso à rádio e TV graciosamente e podem negociar com o governo, embora sejam partidos com pouquíssimas representações. Isso tem que mudar. Vai mudar.

Temos hoje no Tribunal Superior Eleitoral, 67 partidos aguardando seus registros. Somados aos 35 já existentes, se todos forem aprovados, teremos 102 partidos políticos no Brasil. Pode?

Os partidos tradicionais no início do século passado, tinham um discurso classista. Falavam para classes sociais, proletários, burgueses, católicos, protestantes. A chamada para a participação popular se dava através dos militantes, que eram diferentes dos eleitores e simpatizantes. Estes, os militantes – que ainda vemos hoje, são aqueles que, mesmo diante de provas cabais, continuam defendendo seus líderes como se eles fossem santos. Os militantes de antes eram autênticos, pagavam para participar. Hoje…

É importante lembrar que naquela época, o financiamento dos partidos vinha dos seus filiados, muito diferente de hoje, que os partidos existem de olho nos subsídios estatais.

Depois da Segunda Guerra Mundial evoluiu para legendas com um discurso mais amplo. Os partidos então, se aproximam do estado, distanciando-se do povo. Lamentavelmente a partir daí os militantes de fato recuam, pois, os grupos de interesse passam a financiar as legendas.

Oitenta por cento das siglas existentes hoje, surgiram nas três primeiras décadas depois da redemocratização do país. São de ideologia política e doutrinas como liberalismo, social-democracia, socialismo, trabalhismo, comunismo e outras.

Longe de serem uma ponte entre a sociedade civil e o estado como eram os partidos anteriormente, os partidos atuais estão desconectados do eleitor. Cada vez mais o voto é na pessoa, seja ele quem for e que ideologia professe. Estando longe da vigilância dos eleitores – pelo menos até a próxima eleição – os deputados agem, pouco se lixando para os seus partidos. Depois de eleitos, juntam-se às famosas frentes parlamentares que tratam dos mais diversos temas e agem à vontade para negociar votos com o Executivo. Uma vergonha!

A moda agora é tirar o “P” dos partidos e mudar seus nomes. Pensam que o eleitor é bobo! Os partidos políticos são mal vistos pela população. Informações divulgadas pela Fundação Getúlio Vargas no fim do ano passado, dão conta de que os partidos políticos estão em último lugar no quesito confiabilidade do povo, com 7%.

Só de partidos que se dizem defensores dos trabalhadores temos nove, que se dizem democratas temos quatro, socialistas temos três, social-cristão três, comunistas dois, e outros, além do Partido da Mulher, cujo presidente é um homem. Uma festa!

Entre os que estão esperando aprovação do TSE para engrossarem essa lista, temos a volta do PDS, da ARENA, do PRONA, da UDN. Tem também o Partido Militar Brasileiro, Partido Nacional Corinthiano, Partido da Família Brasileira… tem para todos os gostos!

Vamos ver até onde vamos…

*Gilson Alberto Novaes é Professor de Direito Eleitoral na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie-campus Campinas e Coordenador Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia.

O estímulo do MEC ao Ensino a Distância

Cesar Silva (*)

Diante da falta de recursos para estimular o acesso ao Ensino Superior por meio de programas como o FIES, o Ministério da Educação, a fim de resolver uma de suas necessidades “situações emergenciais”, publicou a portaria número 11, de 20 de junho, que estimula o aumento da oferta de programas de graduação na modalidade a distância.

A medida surge como um facilitador Instituições de Ensino Superior (IES) possam abrir polos de estudos para, a partir deles, ampliar a oferta de cursos EaD. O credenciamento dessas unidades, que chegava a demorar mais de doze meses, passa agora a ser prerrogativa das instituições de ensino com melhor classificação no Índice Geral de Cursos (IGC), que deriva da média ponderada das notas de seus alunos e de indicadores de qualidade de projeto pedagógico e infraestrutura declarados no questionário sócio econômico, ambos a partir do ENADE. As IESs com classificação 3, 4 e 5 no IGC poderão abrir, respectivamente, 50, 150 e 250 polos ao ano.

Desde grandes grupos educacionais a pequenas instituições de ensino que ofertam poucos cursos de graduação passam a ver a grande oportunidade de expandir o seu atendimento para locais distantes de suas sedes administrativas.

Um ponto importante da portaria, porém, passa quase despercebido. É seu artigo 8º, que permite a empresas utilizarem suas instalações como polos de apoio à educação. Dessa forma, corretoras de seguros, imobiliárias, escritórios de contabilidade e outros podem sediar cursos de graduação a distância que interessem a seus colaboradores.

Uma IES que oferece cursos superiores de Tecnologia em Marketing pode ter agências de marketing ou de produtoras como polos, desde que os colaboradores destas queiram cursá-los. Já uma instituição que oferte curso de Pedagogia a Distância pode receber seus alunos em escolas infantis privadas que tenham dois ou três auxiliares de ensino interessadas em desenvolver o programa de graduação. A grande vantagem está em levar os cursos aos alunos, que poderão desenvolver sua formação sem terem de se deslocar do local de trabalho.

Esta é a alternativa para levar a educação superior aonde está o interessado, sem custo de instalações para a IES, pois a parceria refere-se a atender os colaboradores da empresa “in company”. Estas opções, mais criativas e que visam o relacionamento e a confiança entre as instituições, podem ser a opção para reduzir a ineficiência de oferta de vagas de cursos superiores.

Hoje, apenas 42% das vagas são preenchidas, o que significa que ofertar mais vagas, mesmo que na modalidade EaD, não garante motivação para o ingresso no ensino superior. A oferta no próprio local de trabalho pode ser o elemento que faltava.

Até que esta possibilidade seja percebida pelos gestores de regulatório, transmitida aos gestores de captação e tratada como estratégica pelos grupos educacionais, investidores oportunistas estarão buscado imóveis para investir em sua adequação e torná-los polos EaD. Dessa forma, as IESs continuarão a ofertar seus planos de expansão de EaD com base na remuneração decorrente do volume de alunos matriculados, nada diferente do que fizeram até agora e que resultou em péssimos índices de aproveitamento e eficiência das instalações.

(*) Cesar Silva é presidente da Fundação FAT, entidade sem fins lucrativos que desenvolve cursos e treinamentos nas áreas de educação e tecnologia.

O FIM DO DINHEIRO COMO CONHECEMOS

Christian Geronasso e Patrick Silva*

Entre tantas revoluções pelas quais o dinheiro já passou, desde as moedas de ouro e prata ao cartão de crédito, voltamos agora a atenção para um movimento de mudança radical. Graças aos avanços tecnológicos, chegamos às criptomoedas.

Tal qual as convencionais, as criptomoedas podem ser compradas e negociadas,  e, partir daí, ser utilizadas para adquirir desde serviços online até apartamentos, matéria-prima etc. No Brasil os estabelecimentos comerciais ainda resistem, mas ao redor do mundo alguns países já estão inclusive regulando a utilização da moeda.

A criptomoeda é considerada uma moeda fiduciária, ou seja, não possui lastro em metal, não tem representação física e é controlada por meio da tecnologia blockchain, que garante a segurança do sistema. Especialistas estimam que até 2027 cerca de 10% do PIB mundial estará armazenado em tecnologia blockchain.

Exemplo das criptomoedas, os bitcoins são virtuais, independentes e sem regulação de qualquer entidade, não existem em locais virtuais, como correios eletrônicos ou armazenamentos em nuvem, e muito menos em locais físico/virtuais como hard drivers ou pen drivers. Para “materializar” um bitcoin ou visualizar o balanço de sua conta corrente é necessário relacionar diferentes registros de transação dispostos em uma rede de bloco virtual (blockchain), que só podem ser consolidados mediante uma chave privada. No Fórum Econômico Mundial de 2017 as criptomoedas e o blockchain foram relacionados com temas como confiança nas negociações, mudanças nos serviços financeiros e outros impactantes para o cenário econômico mundial. A discussão se iniciou principalmente pelo potencial que essa tecnologia tem para dificultar tentativas de esconder ou disfarçar transações.

Apesar de uma pesquisa da consultoria PwC apontar que menos de 5% dos bancos estão bem familiarizados com o assunto, em agosto de 2016 os bancos Bank of America e HSBC revelaram ter construído uma aplicação para melhorar transações com letras de crédito. A atenção das instituições financeiras tem motivos, pois o blockchain permite que grandes volumes monetários sejam arrecadados, sem taxas ou desvios e em tempo real. Sem dúvida o blockchain irá impactar bancos, seguradoras e intermediadoras de pagamentos, mas existem infindáveis possibilidade em marketing, serviços sociais, vendas, a exemplo do que ocorreu como Uber, Airbnb e eBay.

Se esse modelo for aplicado, atividades hoje muito presentes tendem a desaparecer. Muitos dos especialistas que anteciparam e antecipam movimentos do mercado, como Don e Alex Tapscott, autores do livro Blockchain Revolution, apontam grandes mudanças em modelos de negócio que exigem intermediação, como os cartórios, que realizam atividades para garantir que as informações apresentadas por cada uma das partes em uma negociação sejam verdadeiras.

Em breve ao adquirir um imóvel, automóvel ou uma laranja orgânica poderemos consultar um blockchain que possuirá todas as informações históricas, sem a necessidade de uma entidade intermediadora. Será possível, a partir de um smartphone, realizar a leitura de um QR Code que detalhará todas as manutenções realizadas no imóvel, todas as vezes que o seguro de um automóvel foi acionado e até mesmo se a fazenda que vende orgânicos realizou recentemente a aquisição de agrotóxicos.

Como se não bastasse, a criptomoeda já é uma possibilidade disseminada de investimento, e vemos o reflexo disso nos seus preços. A cotação da moeda virtual bitcoin em comparação com o real, saiu do patamar negociados abaixo de R$ 1 mil reais, em 2015, para a cotação de R$18.000, mais de 1.800% em apenas dois anos. Ao que tudo indica, o título deste artigo não contém exageros.

*Os autores deste artigo são membros do Comitê Macroeconômico do ISAE Escola de Negócios, associada da Amcham-Curitiba (Câmara Americana de Comércio).

A melhora no mercado imobiliário

 *** Bence Pál Deák

Os escândalos de corrupção atrapalharam, e muito, o ano de 2017, que prometia ser de retomada da economia. Mesmo assim, a tendência de melhora nos negócios registrados no mercado imobiliário deve ser comprovada no fechamento do segundo semestre.

A demanda por imóveis novos diminuiu. O mercado de imóveis é complexo, e quando ocorre a retração na comercialização de imóveis novos, os usados também são afetados, e vice versa.

Mas se ainda não  é realidade,  estas  boas perspectivas podem ser explicadas pelo conjunto de medidas econômicas que está sendo aplicado.

A inflação está sob controle, os juros recuam, as taxas de desemprego estão diminuindo e os preços de imóveis apresentam estabilização: tudo isso representa otimismo no setor imobiliário.

Mas o que é certo é que o mercado vai voltar a crescer quando os preços começarem a dar indícios de que vão subir. Neste momento,  os compradores de casas próprias e principalmente os investidores direcionarão seus recursos na aquisição de imóveis.

Indicadores – Os indicadores da economia interferem diretamente no segmento imobiliário. A taxa de juros tem sido reduzida sistematicamente. É porque a inflação está controlada e dentro da meta do governo. O mercado está fazendo previsão de inflação para 4% ou 4,5% ao ano. No começo deste ano, a previsão era de 5,07%.

Isso comprova, de forma bastante clara, que as perspectivas para o mercado imobiliário no segundo semestre são muito otimistas. Essa situação reflete diretamente no poder e na disposição de compra dos consumidores brasileiros e torna a compra destes bens mais atraente. A expectativa é de que, ainda este ano, o PIB brasileiro cresça em torno de 0,4% a 0,5% e o mercado está bastante animado com a possibilidade. Pode ser um “Pibinho”, mas se for positivo poderá ser o início da retomada,

Outro indicador que é preciso ressaltar é o nível de emprego. Com o crescimento do PIB, é natural que a geração de empregos aumente. Com mais pessoas empregadas, aumenta o numero dos que têm condições de conseguir crédito e adquirir um imóvel, fazendo a economia girar e o mercado de imóveis crescer. A taxa de desemprego é um dos fatores mais decisivos para o mercado imobiliário, já que, dificilmente, uma pessoa sem trabalho ou insegura em relação ao seu emprego irá cogitar de comprar um imóvel ou se mudar de casa.

2018 – É possível já fazer uma análise positiva de 2018, levando em conta o anúncio recente, por parte do governo, das novas regras para o Programa Minha Casa Minha Vida. Mas para este ano, ainda não. O setor imobiliário leva em conta se as pessoas estão mais cautelosas quando têm que decidir se vão comprar um imóvel. Trata-se de um bem de valor alto, que compromete a renda das pessoas ou mesmo da família: uma aquisição de longo prazo.

Por estas razões o mercado imobiliário demora mais para reagir ao momento da economia. Assim, quando a economia volta a registrar crescimento,  primeiro os setores como os de bens de consumo leve e duráveis se aquecem. Só depois que a estabilização se consolidou, o mercado imobiliário começa a ser ativado. Ou seja, ele é um dos últimos a serem beneficiados com a recolocação da economia nos trilhos do desenvolvimento.

Mas infelizmente o governo é claudicante, porque ao mesmo tempo que alarga o espectro da MCMV, Minha Casa Minha Vida,  como fez neste ano de 2017, a Caixa Econômica Federal também diminui o limite de financiamento de imóveis novos e usados. E a CEF responde por volta de 70% dos financiamentos imobiliários.

*** Bence Pál Deák é economista e advogado especializado em Direito Imobiliário

O papel da Inovação na busca pelo desenvolvimento sustentável

*Norman de Paula Arruda Filho

Nos últimos tempos, falar em inovação tornou-se quase obrigatório para o mundo corporativo. Inovar passou a ser fundamental em praticamente todos os segmentos do mercado. Com isso, assistimos o emergir da cultura da inovação e atribuímos ao substantivo uma visão extremamente positivista. Inovar virou sinônimo de “mudança para o sucesso”.

Mas seria assim tão simples e definitivo? Um olhar mais atento logo percebe algumas controvérsias. O conceito de inovação está baseado no desenvolvimento de novos bens, na implantação de diferentes métodos de produção e em novas formas de organização, fatos que refletem o comportamento atual da sociedade.

A edição especial de cinquenta anos da revista Exame, publicada em agosto de 2017, apresentou uma série de reportagens sobre as recentes mudanças no comportamento da sociedade. Seja em questões econômicas e políticas ou acerca dos padrões de produção e sobre as diferentes formas de se fazer negócios no Brasil e no mundo, as reportagens evidenciam que estamos em uma importante fase de mudança e de profundas transformações.

Para os mais céticos, a redução de empregos frente à outras soluções tecnológicas, o consequente aumento da desigualdade social e a mudança o ritmo de crescimento das grandes economias são pontos preocupantes desse processo. Há ainda o ressurgimento de movimentos radicais e o nacionalismo exacerbado que vão de encontro à ideia de um mundo integrado, resultando no fechamento de fronteiras e na indiferença para as dificuldades de nações subdesenvolvidas.

Para os que enxergam a partir dessa perspectiva, a inovação pode ser uma grande vilã. No entanto, o outro lado desse cenário pode ser muito mais promissor. Em destaque estão a aplicação da inovação em pesquisas científicas para a cura de doenças crônicas, no desenvolvimento de novos materiais e no investimento em energias limpas e renováveis. Assistimos também grandes transformações no campo educacional com o incentivo à adoção de novas tecnologias da educação; a capacitação das pessoas para um novo cenário econômico; e, até mesmo, o surgimento de novas profissões como alternativa para o mercado. Cabe a nós encontrarmos o equilíbrio entre esses extremos e clarificarmos nossos objetivos.

Assim como afirma Ricardo Voltolini em seu livro Sustentabilidade Como Fonte de Inovação, para obter bons resultados, é preciso saber porque inovar, em que inovar, como inovar, com quem inovar, que tempo dedicar à inovação e até onde devem ir. Com foco nesses resultados, a ONU estabeleceu uma Agenda Global para o Desenvolvimento Sustentável que determina 17 Objetivos desdobrados em 165 metas interdependentes e interconectadas que orientam a sociedade na construção de um mundo economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo até 2030.

Enquanto a inovação avança em criações de alta complexidade, a chamada Agenda 2030 busca soluções para questões que afetam a vida das pessoas e do planeta. Assim, para encontrar o equilíbrio entre esses interesses, é fundamental que os líderes globalmente responsáveis atuem de forma integrada para incentivar e estabelecer iniciativas que possam aproximar a inovação e a sustentabilidade. Nesse contexto, cabe às instituições de ensino e escolas de negócios a responsabilidade de promover a educação executiva responsável no intuito de desenvolver habilidades técnicas e de estratégias de gestão associadas a valores como a ética e o desenvolvimento sustentável.

É preciso formar profissionais dotados de uma visão mais global de suas ações, que assumam papeis de protagonistas e responsáveis pela transformação que o mundo tanto precisa para se tornar um lugar mais justo e sustentável. Somente dessa forma será possível concentrar toda a capacidade de pesquisa e desenvolvimento da humanidade em seu próprio benefício.

*Norman de Paula Arruda Filho é presidente do ISAE — Escola de Negócios e do Capítulo Brasileiro do PRME (Princípios para Educação Executiva Responsável), da ONU. Na próxima semana, nos dias 11 e 12 de setembro, o ISAE vai sediar o 6º Encontro Regional do PRME – LAC, na cidade de Curitiba (PR). O objetivo do evento é trazer uma discussão a respeito das contribuições das escolas de negócios latino-americanas para o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela Organização das Nações Unidas no ano de 2015.

Profissão do futuro: cientistas de dados

Por Maíra Porto

Mais do que nunca a capacidade de gerenciar torrentes de dados é fundamental para o sucesso de qualquer empresa. Para lidar com isso, elas precisam de profissionais capazes de transformar dados brutos, como taxas de retenção de clientes, vendas e custos de fornecimento, em informações que possam orientar a tomada de decisão.

Empresas como Amazon, Google e TOTVS já contam com esses profissionais. No entanto, eles ainda são bastante escassos no mercado. Segundo a rjmetrics.com, apenas 50% das mais de 12 mil vagas abertas para cientistas de dados nos EUA em 2015 foram preenchidas. No Brasil, a procura por esse profissional também é bem grande, tanto que houve uma valorização salarial de 8,1% no último ano, segundo o Guia Salarial 2017 da Robert Half.

Como os estudantes que estão prestando vestibular ou os profissionais que querem mudar de área podem ingressar nessa profissão? Não existe graduação de ciência de dados, mas cursos como estatística, matemática, física ou engenharia são o primeiro passo. Mais do que isso, é necessário que o estudante seja autodidata, proativo e saiba inglês, pois a maior parte do conhecimento necessário para se tornar um cientista de dados está espalhado na internet – programação, conceitos de machine learning e de negócios.

Seguem abaixo três personagens que podem dar depoimentos sobre como se tornaram um cientista de dados – Bernardo Aflalo, 34, engenheiro mecânico, e Felipe Jacob, 23, matemático – e um exemplo de aplicação desenvolvida por eles – a Carol, plataforma de inteligência artificial da TOTVS. Se tiverem interesse, podem inclusive conversar com a Carol.

Personagens

Bernardo Aflalo, 34, engenheiro mecânico

Ele começou a estudar dados e estatística online, em 2009, quando percebeu o valor dos dados para as empresas. Na mesma época, migrou para a área de negócios e, recentemente, ingressou no doutorado em ciência de dados no ITA. Hoje trabalha em uma empresa de tecnologia, onde desenvolve uma solução de inteligência artificial para o setor de supply chain.  “Os primeiros cursos começaram a aparecer agora, mas existem muita coisa boa online que ajuda na formação base de um cientista de dados, formada por três frentes: programação/computação, estatística/matemática e negócios. Todos os cientistas vêm de uma dessas áreas e precisam correr atrás das outras por meio de papers acadêmicos e, também, na prática”.

Thiago Donato, engenharia elétrica

Formado em engenharia, trabalhava na área técnica de uma empresa de aviação. Quando migrou para a área de negócios, sentiu falta da parte técnica e, participando de congressos de gestão do conhecimento, descobriu a ciência de dados. Começou a estudar sozinho online e migrou para essa área na empresa em que atuava. “O legal de trabalhar como cientista de dados é que depois que você aprende as rotinas e processos, existe um set de técnicas que podem ser aplicadas em qualquer empresa ou segmento de mercado. Por isso, precisamos atuar próximo das áreas de negócios para entender as dores do setor e, com base em dados, resolvê-las.”

Rafael Rui, 28, físico

Ele é formado em Física e tem mestrado e doutorado em engenharia elétrica, portanto, tem uma base profunda de estatística e matemática. No final do doutorado, começou a estudar machine learning online e avaliou a possibilidade de fazer um pós-doc, mas, logo em seguida, encontrou uma oportunidade para ingressar no mercado corporativo como cientista de dados. “Confesso que nem sabia direito o que era um cientista de dados, pois não existe formação para isso, e nem tinha trabalhado em empresas até abril deste ano, mas estou gostando bastante. O ambiente corporativo é bem diferente do acadêmico, as coisas são muito rápidas e ágeis.”

Exemplo de trabalho de cientistas de dados

Desenvolvimento de uma solução de inteligência artificial que pode ser aplicada a diferentes setores do mercado e portes de empresas. Um exemplo é a solução para o setor educacional, que ajuda as instituições de ensino a identificarem o número de alunos com potencial de evasão em um determinado curso e o impacto financeiro que isso trará aos negócios.

É possível perguntar para a Carol, plataforma de inteligência artificial da TOTVS, por meio de um celular ou desktop, qual o número de alunos em risco de evasão no curso de direito, por exemplo, e ela responde com números, mostrando quantos alunos estão em risco e o impacto financeiro que isso trará à instituição se eles desistirem do curso. Outro exemplo de aplicação é a sugestão de preço, com base no valor em que ele é vendido na região, ao cadastrar um novo produto na base de dados de uma empresa, seja ela de pequeno ou grande porte.

Faltou a população fazer sua parte

*Luiz Carlos Borges da Silveira

Passado o episódio da votação de admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção, cabe uma análise criteriosa sem influência do calor dos fatos relativos à sessão na Câmara Federal. Perdura o questionamento: por que o presidente saiu ganhador no embate legislativo, quando evidências e provas eram-lhe desfavoráveis? A resposta tem muitas variantes e argumentos. Sabidamente, aconteceu o que é costumeiro acontecer, houve a manobra política do governo com distribuição de benesses, inclusive liberação de emendas orçamentárias, na ‘undécima hora’, a parlamentares negocistas.

Todos os argumentos tentando justificar o resultado do episódio são aceitáveis, todavia no meu entendimento o elemento decisivo foi o desinteresse da sociedade que mesmo com algum grau de indignação diante dos fatos permaneceu alheia ao ponto central da questão. Acredito que se houvesse mobilização e vigorosa tomada de posição o desfecho seria outro. É bom recordar casos anteriores na nossa história política. Quando o então presidente Fernando Collor enfrentou processo de cassação e mais recentemente no impeachment de Dilma Rousseff o povo foi para as ruas, mobilizou a opinião pública e exerceu legítima pressão. No caso atual a denúncia e as provas apresentadas mostravam ser a situação de Michel Temer tão ou mais grave do que nos exemplos citados.

Temer estava mais complicado (e ainda não se encontra totalmente a salvo, há expectativa de que nova denúncia poderá ser apresentada), havia entendimento generalizado de que teria de ser punido, tanto que o governo mobilizou todas as forças disponíveis para neutralizar o processo, o que resolveu, o presidente acabou poupado, mas ficou o sentimento de frustração.

A pergunta é “por que o povo não saiu às ruas”? A conclusão pode ser preocupante: estará o povo desiludido, descrente de mudanças que possam recuperar a decência política?

Claro está que o desfecho da votação foi favorecido pelo próprio processo político, pois a oposição (leia-se PT e seus aliados) não foi enfática, preferindo prolongar o desgaste do presidente, certamente antevendo o pleito de 2018. Exponenciais lideranças empresariais igualmente se mantiveram distantes, assim como setores que concentram notórios formadores de opinião.

O fator decisivo em favor de Temer foi a ausência do povo nas ruas. A pressão popular funciona mesmo, tem força, pois os políticos, especialmente deputados, no caso, tomam cuidado em não contrariar a vontade popular. Muito provavelmente, se os brasileiros fossem às ruas a maioria dos deputados teria votado diferente. A apatia popular sinaliza para algo preocupante porque a descrença ou acomodação não ajudará em nada nas mudanças, principalmente éticas, que o país carece.

Politicamente as coisas se aquietaram e o governo está tentando implementar as reformas estruturais, portanto tem seus méritos. Porém, uma administração adequada não isenta nenhum governante de sofrer sanções quando cometer erros, notadamente se estiverem ligados a crimes como corrupção. No caso em foco, por justiça Michel Temer deveria ser condenado, julgamento que leva em consideração a boa gestão em detrimento da lisura e da decência é completamente errado. Acredito que se o povo houvesse se conscientizado disso teria se manifestado com vigor. Se a voz da sociedade se calar podem acontecer coisas piores.

Para evitar que isso aconteça o povo tem de ter pleno convencimento do peso de sua participação e da força de sua pressão. Grandes mudanças e importantes correções de rumos aconteceram a partir do engajamento popular, afinal, uma das definições da democracia é ‘governo do povo, pelo povo e para o povo’.

*Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal.

Inteligência artificial na saúde possibilita redução de custo operacionais e maior atenção ao paciente

Por Jacson Barros

O mercado de inteligência na área da saúde tem apresentado considerável expansão, por conta do empurrão dado por startups e gigantes do Vale do Silício, região da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo a consultoria empresarial Frost & Sullivan, esse setor poderá alcançar US$ 6,6 bilhões em 2021, possibilitando reduzir os gastos em saúde, usando a inteligência artificial para diagnosticar e detectar doenças precocemente.

Além da redução dos gastos e otimização dos serviços de saúde, a inteligência artificial chega para dar novos panoramas e possibilidades aos profissionais de saúde. A possibilidade do uso de smartphones e  dispositivos wereables, como pulseiras de monitoramento cardíaco, prontuários eletrônicos e automatização de doses dá ao hospital muito mais do que a economia nos custos, possibilitando aos profissionais maior atenção e cuidado humano ao paciente.

Pode parecer que, ao automatizar tudo, estamos indo para o caminho da frieza nos atendimentos, mas é justamente o contrário: tendo a inteligência artificial como nossa principal aliada para termos diagnósticos cada vez mais precisos, detalhados e com amplas possibilidades de condutas e tratamentos, sobra tempo para que os médicos, enfermeiros e demais profissionais dedicquem mais tempo para o paciente, oferecendo atendimento personalizado.

Sabe-se bem que, embora existam pesquisas e grandes ideias no âmbito mundial,  no Brasil as iniciativas ainda são modestas, mas certamente, algumas delas, em breve, serão destaques no âmbito nacional, tais como: reforços diagnósticos, análises de imagens médicas e algorítmos preditivos que auxiliarão o desenvolvimento de sistemas de apoio a decisão.

 

Jacson Barros é Diretor Corporativo de Tecnologia da Informação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Fundação Faculdade de Medicina, Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2008) e Graduado em Engenharia Elétrica, possui  27 anos de experiência na área de Health IT.

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